Revista Brasileira de Psicodrama – volume 24, número 2, 2016

EDITORIAL

Apresentamos o segundo número do 24º volume da Revista Brasileira de Psicodrama, o quinto sob minha responsabilidade editorial. Nesse período, acompanhamos a evolução da produção científica dos psicodramatistas brasileiros com muita satisfação, pela identificação de um rigor científico crescente e principalmente com os primeiros artigos decorrentes de pesquisas bibliográficas com descrição da metodologia de busca. Em 2016, o número de artigos submetidos suplantou os anos anteriores, o que nos traz a esperança de melhores avaliações da Revista.

Acredito que ainda não seja consenso o importante papel da Revista Brasileira de Psicodrama na divulgação das práticas grupais no país. Também seu reconhecimento como um veículo diferenciado para a divulgação do Psicodrama entre os jovens profissionais interessados no trabalho com grupos ainda é aquém do desejado. Contudo, constatamos a visibilidade crescente da Revista em diversos contextos.

Neste número, atingimos novas áreas de aplicação do Psicodrama. O primeiro artigo inédito relata a experiência de psicoterapia de grupo, de base psicodramática, em dois grupos, um de mulheres e outro de homens, transexuais. A psicoterapia de grupo é uma das exigências do processo transexualizador, parte da preparação para a intervenção cirúrgica que adapta o indivíduo para o sexo desejado, ou seja, a redesignação sexual.

O segundo artigo relata a experiência de uma colega finlandesa, que utilizou o Sociodrama e o denominou “relaciometria”, para favorecer uma percepção coletiva de questões ambientais, encaminhando um desenvolvimento sustentável.

O texto seguinte apresenta um projeto de pesquisa relativo à crise de percepção ambiental, implementado no interior do estado de São Paulo, em que o jogo dramático é aplicado em dois grupos: alunos de Psicologia e senhoras na terceira idade.

Segue-se a apresentação de uma experiência de utilização da voz e da dramatização – em vivência psicodramática denominada Cantodrama – como estratégia terapêutica em Psicodrama bipessoal (com uma criança de 6 anos) e em grupo (com dez participantes).

Uma pesquisa das bases epistemológicas do Sociodrama é relatada na sequência. Cinco artigos da Revista Brasileira de Psicodrama foram selecionados e permitiram situar o Sociodrama entre os limites do Humanismo e do Interpretativismo.

Com amostra de 14 adultos ofensores sexuais participantes de uma intervenção psicossocial grupal, uma pesquisa documental propõe a utilização do objeto intermediário e do “como se” como mediadores reflexivos nesse grupo de autores de violência sexual contra crianças e adolescentes.

A seção Artigos Inéditos é finalizada com uma pesquisa qualitativa com a utilização do Sociodrama em intervenção com um grupo de condenados em cumprimento de pena.

Em Artigos de Reflexão, o leitor encontra um levantamento de contribuições para a abordagem de pacientes com estresse pós-traumático, bem como o conteúdo produzido na mesa-redonda “Psicodrama e relações raciais”, que se constituiu como um espaço para compartilhar práticas, vivências e pesquisas sobre o tema, apresentadas pelos diversos depoimentos de participantes.

A seção Comunicações Breves traz dois relatos de intervenções com a terceira idade, uma desenvolvida na cidade de São Paulo e outra em Criciúma, interior de Santa Catarina. Ambas evidenciam a importância da metodologia psicodramática na saúde dessa população.

Este número traz duas Resenhas que nos convidam ao conhecimento mais detalhado das obras apresentadas. A primeira aprecia a abordagem de diferentes experiências de Psicodrama público, enquanto a segunda traz a honrosa participação do nosso querido Wilson Castello de Almeida, que liderou a edição da Revista Brasileira de Psicodrama por dez anos, de 1994 a 2004. Ele contribuiu com uma sensível apreciação da obra resenhada.

Da mesma maneira que venho solicitando ao longo dos últimos cinco anos, conclamo toda a comunidade psicodramática a garimpar artigos que possam motivar a nova geração de profissionais que trabalham em diferentes contextos de aplicação, especialmente aqueles interessados em intervenções grupais.

Novamente convido os gestores da Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap) a alinhar a produção científica nacional (monografias e textos para o próximo Congresso Brasileiro de Psicodrama) às diretrizes propostas pela Revista.

Meu agradecimento a todos os consultores que contribuíram na avaliação dos manuscritos, à equipe de coeditores, aos leitores e principalmente aos autores, que vêm viabilizando a sobrevivência da nossa Revista.

Heloisa Fleury

Editor

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