Excitação sexual feminina subjetiva

A falta de interesse em sexo é um dos maiores desafios no tratamento das disfunções sexuais femininas. Mulheres funcionais e disfuncionais muitas vezes não apresentam diferenças na vaso congestão, porém seguem modelos de excitação genital diferentes. O afeto positivo e os pensamentos relacionados à própria excitação sexual são os principais preditores de excitação subjetiva. Algumas dimensões da consciência corporal (percepção do corpo, consciência emocional, autorregulação e confiança) predizem o comprometimento da excitação subjetiva, enquanto a não distração prediz uma percepção mais acurada da excitação. Esses resultados sugerem que a experiência subjetiva de excitação sexual possa ser clinicamente mais importante para o tratamento da mulher disfuncional que o fluxo sanguíneo genital. O tratamento deve iniciar após diagnóstico preciso sobre os fatores desencadeantes da disfunção sexual (fatores culturais, culpa, habilidade para desfrutar do sexo, qualidade do relacionamento, habilidade em manter a atenção aos estímulos sexuais, estresse agudo e crônico, vinculação e humor, menopausa e envelhecimento). Esse tratamento é mais eficaz quando aborda crenças e pensamentos (fatores cognitivos), além de estados emocionais. Mulheres com disfunção sexual apresentam diferenças na atividade do sistema nervoso autônomo. Intervenções que promovam o equilíbrio dos dois ramos desse sistema são promissoras, bem como intervenções que abordem fatores cognitivos e afetivos associados à prática de mindfulness ou ao treinamento autógeno.

Junqueira Fleury, Heloisa; Helena Najjar Abdo, Carmita.

Diagn. tratamento; 23(2): 66-69, abr.-jun. 2018.

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