Envelhecimento, doenças crônicas e função sexual

A expressão sexual de indivíduos mais velhos e saudáveis é menos conhecida do que o impacto negativo das doenças e de seus tratamentos relacionados à função sexual. Por outro lado, a regularidade da atividade sexual garante bem-estar físico e psicológico, além de contribuir para a redução de problemas físicos e de saúde mental, associados ao envelhecimento. A alta prevalência de comorbidades em homens idosos e a associação dessa condição com o comprometimento da função sexual confirmam o prejuízo crescente do interesse e da satisfação sexual. O mesmo ocorre entre as mulheres nessa faixa etária, com o aumento de dor à penetração e a diminuição do desejo sexual. Disfunção erétil pode ser um indicador de doença subjacente. Fatores orgânicos e relacionais passam a ter um impacto maior durante o envelhecimento. O comprometimento progressivo da função sexual feminina é influenciado por fatores psicológicos, relacionais, sociais, culturais e biológicos. A revisão de literatura específica demonstra que são mais estudados os aspectos biológicos do envelhecimento e o respectivo tratamento, enquanto os voltados para os fatores psicossociais e relacionais que afetam essa população são insuficientes. Os estudos de que dispomos apontam evidências suficientes do impacto de variáveis biológicas e algumas evidências dos aspectos psicossociais e relacionais sobre a função sexual feminina e masculina. No estágio atual do conhecimento, já se reconhece a relevância da reabilitação da função sexual, o que favorece o fortalecimento da saúde numa perspectiva integral. A iniciativa deve partir do profissional de saúde, que pode ajudar a definir expectativas realistas.

Fleury, Heloisa Junqueira; Abdo, Carmita Helena Najjar.

Diagn. tratamento; 17(4)out.-dez. 2012. tab

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