Sexualidade em oncologia

O câncer, bem como suas abordagens terapêuticas, afeta o bem-estar psicológico e a qualidade de vida do(a) paciente oncológico, de sua família e, especialmente, de sua(seu) parceira(o), podendo resultar em prejuízos significativos à função sexual, ao estado emocional e ao relacionamento. Na maioria das vezes, não são abordadas questões relativas à sexualidade no contexto clínico, valorizando-se apenas os resultados do tratamento, o controle de efeitos adversos não sexuais e a sobrevida do(a) paciente. Alterações ou bloqueios em uma ou mais das fases do ciclo de resposta sexual (desejo, excitação, orgasmo, resolução) podem desencadear disfunções sexuais. Para tal situação, concorrem elementos de ordem somática e/ou psíquica. Em pacientes com câncer, a presença de condições debilitantes ou incapacitantes, o uso de medicamentos que inibem a libido, as alterações físicas, as cirurgias e os estados emocionais negativos tendem a coexistir no curso da doença, no tratamento, no manejo da sintomatologia e no pós-tratamento. Por essa razão, disfunções sexuais são frequentes em pacientes oncológicos. As abordagens atuais para avaliação da disfunção sexual são baseadas em modelos que combinam aspectos psicológicos e biológicos. A maior sobrevida de pacientes com câncer, obtida pelos recentes avanços de diferentes abordagens terapêuticas, tornou essencial a intervenção ampla, visando o bem-estar físico, psicológico, social, relacional e sexual desses pacientes e suas parcerias. Um grande desafio é atender às questões relacionadas à sexualidade do(a) paciente e de sua parceria, para que ambos possam desenvolver aceitação e adaptação às alterações provocadas pelo câncer e às sequelas dos tratamentos.

Fleury, Heloisa Junqueira; Pantaroto, Helena Soares de Camargo; Abdo, Carmita Helena Najjar.

Diagn. tratamento; 16(2)abr. 2011.

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