Dor genital feminina

A dor genital feminina tem sido objeto de estudos, o que resultou em mudança na sua classificação pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). A noção da dispareunia ser desordem unitária identificada como disfunção sexual não tem sido confirmada. Há síndromes de dispareunia, sendo a superficial muito semelhante ao vaginismo. A definição do vaginismo, baseada principalmente na ocorrência do espasmo vaginal, também não tem sido confirmada. O DSM-V engloba os dois transtornos, classificando-os como desordem da dor genitopélvica, cuja definição baseia-se em cinco dimensões: índice de sucesso da penetração vaginal, dor com a penetração vaginal, medo da penetração vaginal ou dor genitopélvica durante a penetração vaginal, disfunção da musculatura do assoalho pélvico e comorbidades médicas. Com o envelhecimento da mulher, a prevalência de queixa de dor sexual aumenta. Deficiência de estrogênio é a principal causa de alterações urogenitais atróficas, sendo, portanto, a terapia estrogênica a melhor escolha terapêutica para essa população. Essa condição pode afetar o relacionamento com o parceiro, impactando negativamente a atividade sexual. O parceiro pode evitar o contato com receio de causar dor, podendo diminuir sua iniciativa para a atividade sexual ou até mesmo diminuir seu interesse. Também a preocupação com a dor pode distrair ambos, podendo levá-los a outras disfunções sexuais. Mulheres com dor genital superficial tendem a apresentar baixas autoestima e estima corporal, imagem corporal alterada, insegurança, preocupações excessivas e comportamentos de evitação. Dada a causalidade multidimensional, o diagnóstico e o tratamento devem ser conduzidos por equipe multidisciplinar e incluir uma cuidadosa avaliação da etiologia do quadro.

Fleury, Heloisa Junqueira; Abdo, Carmita Helena Najjar.

Diagn. tratamento; 18(3)set. 2013. tab

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